História
Após o descobrimento, os portugueses demonstraram pouco interesse pelas terras do Brasil, se limitando a construir fortificações próximas a portos naturais, com o objetivo de facilitar o armazenamento e o embargue do pau Brasil, sem ainda ter o domínio da terra e sem nenhuma forma de organização econômica ou administrativa. O interesse de Portugal naquele momento era o rico comércio de especiarias no extremo oriente.

A partir de 1534, a coroa portuguesa decidiu implantar um sistema de colonização de denominado capitanias hereditárias, com o propósito de atrair investimentos privados, garantindo a particulares, grandes extensões de terras, com a contrapartida de promoverem o povoamento e realizarem a exploração econômica. Aos prepostos cabia exercer o governo, o comando militar e o poder de justiça.

O sistema de capitanias fracassou – com exceção de Pernambuco e São Vicente, não garantindo aos portugueses o domínio das novas terras. Conflitos com os indígenas, falta de capital, escassez de mão de obra e o desinteresse demonstrado por alguns donatários (alguns nem aqui vieram conhecer suas capitanias),dificultaram o estabelecimento de uma atividade economicamente estável que garantisse a ocupação e o povoamento.

A partir de 1548, e criado o governo geral, visando centralizar a política de exploração, limitando o poder dos capitães donatários, que eram submetidos à nova instancia administração, escolhida e nomeada diretamente pelo rei, incumbida da defesa militar (interna e externa), de justiça, da arrecadação dos tributos devidos à coroa, do estímulo das atividades econômicas e da fundação das vilas e povoações. Pela posição geográfica estratégica e demais facilidades, foi escolhida a capitania da Bahia como sede do governo-geral, tendo sido montada toda uma infra-estrutura, e Salvador passando a desempenhar um papel importante como sede de governo.

Tome de Souza foi o 1º governador-geral, a ele cabia a tarefa de construir a nova cidade, trazendo uma grande comitiva, na qual estava Garcia D’Ávila que, depois de algum tempo, se estabeleceu numa sesmaria, no litoral norte, uma região chamada Tatuapara, à margem do rio Pojuca, onde construiu uma casa fortificada que passou a ser conhecida como Casa da Torre. Por gerações a família Garcia D Ávila exerceu uma forte presença, se constituindo numa das maiores latifundiárias do nordeste, com atividades de desbravamento e colonização, envolvendo a criação de gado e produção de açúcar. O castelo funcionou por algum tempo como um lugar estratégico na luta pela expulsão dos holandeses, servindo de posto de sinalização para diversos pontos da costa.

A historia de Camaçari tem início após a construção de cidade de Salvador, no ano de 1558, quando os jesuítas fundaram a aldeia do Divino Espírito Santo, construindo a primeira igreja ainda de barro e palha. Com o objetivo de catequizar e educar os índios tupinambás foi instalada a companhia de Jesus, constituindo-se num dos trabalhos pioneiros no Brasil. Eles definiram para a sede de sua missão uma aldeia de índios situados à margem do rio Joanes. Em virtude de uma epidemia, que dizimou muitas vidas, decidiram transferir para outro lugar mais saudável, perto do mar e das dunas, onde teriam melhores condições de vida, se estabelecendo numa localidade hoje conhecida como vila de Abrantes. A aldeia do Divino Espírito Santo, naquela época, serviu como ponto de ligação entre o centro de Salvador e as missões do sertão.

Neste contexto esta a verdadeira origem de Camaçari que significa, em tupi-guanari, leite e lágrimas, uma referencia ao tronco de uma árvore da mata úmida, muito utilizada para construção de embarcações; a sua seiva e usada como cicatrizante e também na construção civil, sendo assim conhecida como “pau para toda obra”, popularmente chamada de Camaçari.

Em 1624, a aldeia foi palco de um importante fato histórico, sendo sede do governo da Bahia, onde se organizou a luta de resistência, sob o comando de D.Marcos Teixeira, culminando na expulsão dos invasores holandeses do território baiano.

O povoado de Abrantes, em 1758, foi elevado a categoria de “vila” com nome de Vila do Espírito Santo da Nova Abrantes. Em 1848 foi desmembrado do município de Mata de São João. Na divisão administrativa do Brasil, em 1911, o município passou a ser composto por três distritos, Abrantes (sede), Monte Gordo e Ipitanga. Com a lei municipal de 22 de março de 1920, criou-se o distrito de Camaçari, sendo elevado a categoria de “vila”. A lei estadual 1.809 de 28 de julho de 1925, mudou o nome do município para Montenegro e transferiu a sede para o arraial de Camaçari, formando apenas 03 distritos: Camaçari (distrito Sede), Abrantes e São Bento do Monte Gordo. Com o decreto-lei estadual de número 10.724, de 1938, o município de Montenegro passou-se a chamar Camaçari, continuando com a mesma formação distrital, mudando apenas o distrito de São Bento de Monte Gordo para Monte Gordo. Já no ano de 1953, por força da lei 628, foi criado o distrito de Dias D’Ávila, formando 04 distritos no município. Em 1985, conforme lei Estadual 4.404 houve o desmembramento de Dias D’Ávila que se tornou independente.

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